roda de cores

23 julho, 2007

O estudo de cores vem desde a antigüidade. Na Grécia antiga muito se discutiu sobre a natureza das cores. Aristóteles dizia que a cor era uma característica intrínsceca dos corpos, assim como o peso, tamanho etc. 

já no renascimento descobriu-se que as cores eram características de luz e não intrínsecas dos corpos.

Com a descoberta da dispersão da luz branca e do espectro visível da luz das cores, o estudo começou a ganhar novos rumos.

 

fonte da imagem: wikipedia

Foi por essa época que o sr Isaac Newton, resolveu organizar as cores do espectro visível em um círculo. Para isso, ele juntou as extremidades (vermelho e o violeta) do espectro. Entretanto, para tornar a progressão das cores contínua, ele acrescentou o roxo entre o vermelho e o violeta, dando a famosa roda de cores de 7 cores.

Com a evolução dos estudos de cores, se desenvolveram novos modelos de rodas de cores, e mesmo ainda hoje, há diferentes ”correntes”, que se baseiam em diferentes pontos da teoria.  É difícil saber qual o modelo ideal de roda de cores. Cada um deles possui vantagens e desvantagens.

Para quem trabalha com mídia impressa, ou internet e tv, o ideal seria se a roda de cores fosse baseada na teoria aditiva e subtrativa de cor, ou seja  a roda de cor ideal seria formada pelas cores vermelho, amarelo, verde, ciano, azul, magenta, como a imagem abaixo (essa uma versão só para demonstração, insuficiente para se trabalhar, pois falta tons terceários, mas já dá uma idéia).

roda-de-cor-sistema-de-cores.jpg

  a base dessa roda de cores é apresentada na Apostila de Fotografia e Cinematografia escrita pelo Prof. Filipe Salles, no capítulo 6 ( http://www.mnemocine.com.br/cinema/manual_cine_cap6_cor.pdf ).

O modelo que usaremos como base nesse estudo será a roda de cores desenvolvida por Johannes Itten, no livro “elements of colour”. Esse livro é um dos mais completos do assunto. Itten foi um professor da Bauhaus e em seu livro  é desenvolvido e demonstrado como as cores se relacionam através dos 7 diferentes tipos contrastes, bem como funciona a harmonia cromática, conceitos essenciais para se trabalhar com cores.

mas há outros modelos ainda usados, como o desenvolvido por Munsell. A roda de cores desenvolvida por esse, é composta por 10 cores (pois é mais fácil para nós trabalhar com números decimais), além disso,  ele substituiu o violeta pelo roxo, que faria uma transição melhor entre o vermelho e o azul.

Confesso que quando fui escrever esse tópico, fiquei assustado, afinal como poderia lidar com essas diferenças. Fui nas bibliotecas da ECA e da FAU pesquisar e percebi algumas coisas:

– há diferentes teorias de cores existentes, ainda hoje.

– a  roda de cor é uma simplificação, ela determina fronteiras aonde a mudança de cores tendem a ser constantes, formando um “degradê”.

-por serem simplificações, elas tendem ser generalistas, ou seja o que é chamado de vermelho, nelas, cobre uma área muito ampla de “infinitos” diferentes tons de vermelhos, vermelhos-laranjas, vermelhos-violetas e etc.

– se usarmos rodas de cores contínuas que nem essa aqui do kuler, ferramenta que mais tarde falarei a respeito, além de não se eliminar o problema de imprecisão, se cria mais uma dificuldade, como definir os nomes das cores?

A roda de cores desenvolvida pelo Itten , e que usaremos nesse estudo, é baseada no espectro visível ( e não a teoria subtrativa e aditiva).  Ela é formada por 12 cores, entre elas as chamadas cores primárias azul, vermelho e amarelo, que são muito próximas às cores primárias da teoria subtrativa e além disso, são usadas como cores primárias por pintores e artistas em geral. Na imagem abaixo, essas cores são mostradas no triângulo central.

há também, as cores secundárias que nascem entre a mistura de 2 tons primários. São esses tons o verde, laranja e violeta (presentes no hexágono ).

Por fim há os tons terceários ( amarelo-laranja, vermelho-laranja, vermelho-violeta, azul-violeta, azul-verde e amarelo-verde).

Os tons secundários são formados pela mistura de dois tons primários e os tons terciários pela mistura entre um tom primário e um secundário.

rodas de cores


nem tudo são flores para o preto

16 julho, 2007

no último post eu enchi a bola do preto falando que ele resolvia bastantes problemas. Sim, isso é verdade, mas tem-se que tomar cuidado com uma coisa quando se utiliza ele.

 em imagens impressas, as cores são posicionadas em retículas , uma maneira de se conseguir tons intermediários  ( o famoso degradê). nessa restícula as cores são dispostas em diferentes ângulos, geralmente o preto ou a cor mais visível a 45°, o ciano a 75°, o magenta 45° e o amarelo a 0°.

4screens.gif
fonte da  imagem: http://home.sharpdots.com/resources/color.cfm?HDID=GP

Acontece que quando se usa apenas o preto “k” para imprimir alguma área apenas um “ângulo” da rosácea é preenchida, assim, o preto fica “transparente”, ou seja ele não preenche totalmente a área impressa. Caso essa imagem preta esteja sobreposta a uma outra imagem do fundo, que utiliza outras cores, essa imagem aparecerá. Isso gera uma estranha sensação e incomoda o olho. Muitas vezes só se descobre isso quando o material já foi impresso, por isso é preciso tomar cuidado com esse fator. Programas como o  Illustrator permite que você configure o preto na impressão para ser sempre o preto “rico”, ou seja, não transparente.

Esse é um exemplo de preto transparente retirado de um cartaz de divulgação de uma balada. Eu dei uma pequena arrumada nas cores dele no photoshop para que ficasse mais claro o que quero mostrar. no primeiro exemplo, olhe como a faixa preta transparece a continuação do desenho à direita  e , talvez o pior, olhe como no segundo exemplo, a faixa  revela o resto do quadro branco.

preto-transparente-12.jpgpreto-transparente2-copy.jpg

 aí fica um outro conselho: cuidado com as gambiarras. Por mais que na maioria das vezes elas resolvam os problemas,
pode ser que alguma vez venha dar “zica” e o feitiço virar contra o feiticeiro. é o caso desse quadro branco, que poderia facilmente ter sido reduzido para não invadir a faixa preta, mas foi apenas coberto.

 quando for necessário refazer um trabalho, é muito chato consertar um remendo ( porque muitas vezes é difícil lembrar o que se fez, ou esse remendo não tem mais volta)


mas e o preto?

15 julho, 2007

Nas perguntas sobre cor eu falei um pouco sobre a função do preto nas impressões, mas aquela explicação era apenas um aperitivo. agora vou mostrar com calma o que acontece. 

Para começar o preto, no processo CMYK, se chama “K” pois essa sigla vem do nome das cores em inglês. Daí, para evitar confusão com o “B” de Blue do RGB, eles resolveram chamar a cor de “K”.

 Lembra que na explicação sobre o sistema subtrativo de cor tá escrito que a soma das 3 cores primárias em máxima intensidade geram o preto? Isso é lindo na teoria, mas na prática é difícil de acontecer, por causa de impurezas nas tintas. Geralmente, a soma dessas cores em intensidade máxima resulta em um marrom turvo. O “K” serve, então para que se alcance o preto 100%.

Outro motivo para que o preto exista é que ele serve para realçar  sombras e contornos. veja nessa prova progressiva de prelo ou fotolito, a primeira imagem mostra a capa de um jogo formada apenas pelas cores ciano, magenta e amarelo. Na segunda o preto é adicionado ( note como as sombras são realçadas, os contornos ganham vida e o fundo ganha as faixas cinzas.

sega 3 cores

sega 4 cores

preto

Outro motivo para o preto existir é para escrever textos, o preto, além de economizar tinta ( afinal as outras 3 cores não precisam ser utilizadas em intensidade máxima), evita que as letras saiam borradas (principalmente em letras de tamanho pequeno, com serifa).

esse post é praticamente a psicografa de uma aula do Luli, que além do conteúdo me emprestou as imagens. valeu. 


Pontilhismo, uma nova maneira de misturar as cores.

9 julho, 2007

no fim do século XIX o desenvolvimento de teorias psicológicas e  fisiológicas gerou  um certo tipo de conhecimento que começou a ser usado pelos pintores d. Os impressionistas já pregavam que para se alcançar diferentes tons, as cores não precisariam ser misturadas, mas que poderiam ser colocadas lado a lado em pequenas “porções” e nosso olho se responsabilizaria por misturar as cores e gerar tons intermediários.

Georges Seurat é considerado aquele que iniciou o movimento artístico conhecido como Pontilhismo, em que o uso de cores não sobrepostas iniciado pelos impressionistas foi aprofundado. Em seus quadros, Seurat usava pequenas pinceladas de forma sistemática, distribuindo-as com perfeição na tela  de forma que o observador visse uma tela com  ínumeras e sutis transições entre os tons.

fonte imagem: Wikipedia,
nome do quadro: “Les poseues” (As modelos) de Georges Seurat. Essa não é uma das obras mais conhecidas do autor entretanto é extrememamente interessante, pois há representada no quadro uma outra obra sua, a famosa ” Un dimanche après-midi à l’Île de la Grande Jatte” (uma tarde de domingo na grande Jatte).

O mesmo conceito do pontilhismo é usado hoje tanto em imagens impressas como nas digitais, as cores não são misturadas, mas posicionadas lado a lado de forma que o nosso cérebro as misturem. 

…………………………………………………………………………………………..

aqui algumas sugestões de páginas com mais imagens dos 2 grandes ícones do pontilhismos: Seurat e Signac

http://fr.wikipedia.org/wiki/Georges_Seurat

http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Paul_Signac

e essa página é muito interessante pois é possível ver um quadro de Seurat com bastantes detalhes as pinceladas dele, atente para como ele pinta a moldura.

http://www.dia.org/user_area/zoom/zoom.asp?ZoomifyImagePath=1961_1980_300ppi/70.183 


algumas considerações sobre os sistemas aditivos e subtrativos de cor

7 julho, 2007

A mistura dos tons ciano, magenta e amarelo, em diferentes intensidades, resulta em uma enorme variedade de cores, por isso que esse sistema é usado em impressão por gráficas e impressoras.

Entretanto, a variedade de tons alcançada por esse sistema (CMYK) é menor do que a variedade do sistema RGB de TVs e monitores, por isso é preciso tomar cuidado ao se trabalhar com cores em materiais que serão impressos. Na imagem abaixo, são mostrados o alcance de cor dos sistemas RGB e CMYK dentro do espectro visível de luz (a região colorida).

gamut

Tome cuidado, pois aquilo que é exibido no monitor não é aquilo que será impresso. Por muitos motivos, como a diferença de alcançe do sistema aditivo e subtrativo, a falta de fidelidade do monitor, a regulagem da impressora, a qualidade da tinta, a luminosidade do local em que se trabalha etc. Prometo um dia escrever sobre como evitar esse problema


Síntese subtrativa de cor

6 julho, 2007

No último post, foi mostrado como as cores funcionam pra luz, no sistema aditivo. Agora vou mostrar como funcionam a síntese subtrativa, que ocorre em pigmentos,  tintas e coisas do gênero.  Enquanto na síntese aditiva o que se vê é a luz emitida por um objeto, na síntese subtrativa se vê a luz refletida por ele. Isso muda muitas coisas. 

Para começar, as cores primárias do sistema subtrativo são o ciano, o magenta e o amarelo ( ou azul ciano, vermelho magenta e amarelo, dá no mesmo…). Se você leu o tópico da síntese aditiva, você deve lembrar que esses tons são os tons secundários daquele sistema. Caso não tenha lido,  LEIA!

               
Brincadeira… mas é legal ler só pra saber a origem desses tons.

Como estava falando,  essas cores são primárias pois trabalham como filtros. Um objeto de tom ciano,quando exposto a luz branca (a soma das luzes do espectro visível, formada pelas cores básicas vermelho, azul e verde) absorve a luz vermelha e reflete a verde e a azul. Já um objeto de tom amarelo, absorve a luz azul, e reflete a verde e a vermelha. Por fim um objeto magenta, absorve a luz amarela e reflete a azul e vermelha. Assim, quando o ciano, o magenta e o amarelo são sobrepostos , eles geram o preto, porque os três tons primários da síntese aditiva serão absorvidos ( ao contrário da síntese aditiva em que a soma dos tons primários resultavam no branco). 

esse sistema é chamado de subtrativo pois as cores se formam a partir da subtração de luz,  por isso a soma das cores é o preto. 

Quando se usa os tons primários em intensidade mediana se alcança o cinza. nesse gráfico dá para ter uma idéia como esse sistema funciona:

S�ntese subtrativa de cor

Pra terminar, quando essas cores são misturadas em diferentes intensidades elas conseguem abranger uma grande quantidade de tons. Por isso esse sistema é usado por impressoras e gráficas. é o famoso CMYK. A existência do K (preto) está explicada em breve…


síntese aditiva (as coisas começam a ficar legais)

1 julho, 2007

Enfim, toda a teoria que foi mostrada até agora, vai começar a fazer sentido…
agora vamos partir para algumas aplicações mais práticas e interessantes sobre o uso de cores.

Aqui, será exposto a maneira como as cores funcionam naqueles corpos que emitem luz. O monitor do PC que vc está lendo esse texto agora, é um bom exemplo desse tipo de corpo. Esse sistema é chamado de Síntese Aditiva de cor.

Esse sistema possui como cores primárias o vermelho, verde e o azul. Essas cores são primárias, pois são as cores que nossos olhos “percebem”. A partir delas todas as outras são formadas (para saber mais veja como o olho enxerga as cores). 

o legal desse sistema é que ele é baseado no funcionamento de nosso olho. com certeza se fossemos moscas, ou cachorros, esse sistema teria que ser adaptado.

Nesse sistema a mistura de duas cores sempre resultará em uma cor mais luminosa,  quando se mistura as 3 cores primárias em intensidade máxima, alcança-se o branco. E por fim, nunca se conseguirá misturar diferentes cores e se obter como resultado uma cor primária.

Esse sistema se chama aditivo pois as cores se formam através de soma de luz, por isso a resultante da soma das cores é o branco.

sistema aditivo de cores

Quando se mistura 2 cores primárias, se obtém uma cor secundária. Na síntese aditiva de cor os tons secundários são o ciano (azul + verde), amarelo (vermelho + verde ) e magenta (azul + vermelho).

guarde essa informação porque num futuro próximo usaremos essas cores secundárias.

Os monitores de computador e as Tvs se baseiam nesses conceitos para conseguir formar suas imagens coloridas. Se você tiver uma TV de tubo, chegue bem perto dela e veja como ela é um emaranhado de pontos verdes, vermelhos e azuis. Esse é o famoso RGB (de Red, Green  e Blue).

Depois de tudo isso, acho que é besteira falar, mas quando você for trabalhar com imagens para Web, ou em apresentações em ppt, ou coisas do tipo, lembre-se de deixá-las em RGB.