Contraste simultâneo

15 setembro, 2007

O exemplo da bolinha verde que surge quando as bolinhas de tom rosa desaparecem, mostrados no último tópico  prova como o olho busca constantemente entrar em equilíbrio. Isso acontecerá sempre, independente da nossa vontade. 

Essa busca do olho não pode passar despercebida quando se trabalha com cores. Pois muitas vezes, por tentar estar em equilíbrio, o cérebro interpreta as cores de maneira diferente de como elas são de verdade. Isso pode gerar efeitos interessantes, como também ferrar tudo.

O contraste simultâneo é uma conseqüência do trabalho do olho pela busca de equilíbrio. Ele ocorre sempre  que o olho é sensiblizado por uma cor. A partir desse instante, o olho procura o tom complementar a essa cor , para que esses tons se anulem e ele possal voltar ao seu estado de equilíbrio inicial. Quando o olho encontra esse tom complementar e consegue se anular, consegue-se  a  famosa “harmonia cromática” (esse é um conceito que será desenvolvido mais a diante).
Entretanto, quando o olho não encontra o tom complementar, ele a projeta em algum tom qualquer localizado próximo a cor original. Dessa forma, cada cor assume um pouco do tom complementar de outra.

veja no exemplo abaixo

contraste-simultaneo.jpg

Nessa imagem, o quadrado cinza escuro e o quadrado verde possuem a mesma luminosidade. já os dois quadrados cinzas centrais são exatamente iguais. No entanto, o quadrado que está dentro do quadrado verde está avermelhado.  O que acontece é que nosso cérebro, tentando anular o verde, projetou no cinza a cor vermelha. O cinza, por ser um tom neutro, é muito mais suscetível a receber influência dos outros tons.

é interessante notar  que o cinza deixou de ser uma cor neutra e morta e assumiu um novo e totalmente diferente valor. Essa é uma das características que tornam o cinza uma cor especial, ele é extremamente sensível as cores que se localizam próximas a ele (principalmente se essas tiverem a mesma luminosidade dele).

Com pequenos ajustes pode-se  de itensificar ou anular esse efeito ( clique na imagem para vê-la em maior tamanho, talvez seja mais fácil perceber:

contraste-simultaneo2.jpg

No quadrado cinza à esquerda, o efeito do contraste simultâneo é reforçado, pois foi adicionado um pouco de azul a ele. O quadrado central possui o tom o cinza neutro, nele o efeito do contaste simultâneo está presente, entretanto não é reforçado nem anulado. No quadrado à direita, o efeito do contraste simultâneo é anulado, pois foi adicionado a ele um pouco de laranja.

Itten conta que em uma tecelagem, havia uma série de gravatas vermelhas com listras pretas não eram vendidas, pois as pessoas acreditavam que as listras eram verdes.  Se eles pintassem as listras levemente de marrom, o problema seria resolvido.

Outra maneira de se reduzir o contraste simultâneo é colocando cores de diferentes luminosidades próximas umas às outras. O contraste claro-escuro reduz a o efeito simultâneo

 Apesar do cinza ser a cor em que é mais fácil se perceber esse efeito, o contraste simultâneo  pode acontecer em em todas as cores.  Nesses casos, cada cor tenta transformar a outra em sua complementar, ambas perdem suas características intrínsecas e assumem outras totalmente novas. A estabilidade que é alcançada ao secriar uma composição harmônica é quebrada. Aquilo que a natureza físico-químca das cores dizem, não é aquilo que o cérebro interpreta.

Conhecer o efeito da simultaneidade é extremamente importante para se criar um sentido novo, irreal e surpreendente para as cores ou então para  evitar de se cometer grandes erros. Olhe as fotos abaixo, na fotografia de fundo alaranjado, o arroz assume ( ou deveria assumir) um aspecto azulado (olhe principalmente nas sombras).

arroz.jpg 

ah, o arroz nos pratos é igual em ambas  as fotos.

o efeito nesse caso está bastante sutíl, estou procurando outro melhor para exemplificar esse tópico.

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Contraste de tom

10 agosto, 2007

 

fonte  da imagem :wikipedia

O contraste entre tons é o mais fácil de ser entendido. É esse contraste que nos faz, por exemplo, diferenciar uma Ferrari vermelha de uma amarela, ou a lataria desse caminhão, da  lona amarela e da caçamba azul.

O contraste entre os tons primários vermelho, amarelo e azul é o mais forte. O contraste entre esses tons é tão forte quanto o branco e preto para o contraste “claro-escuro”.

A intensidade desse contraste é menor entre tons secundários, diminui ainda mais entre tons terceários e assim por diante.

A variação na luminosidade dos tons, altera também o contraste entre eles.

O branco, o preto e o cinza são chamados tons não-cromáticos.