harmonia 3

21 dezembro, 2007

amigos, desculpem-me a estagnação do blog nas últimas semanas.

estava numa correria absurda, mas isso não é motivo para parar o blog. De qualquer forma, vamos voltar ao que interessa.
Para se formar uma combinação harmonica é preciso formar “acordes” de cores dentro da roda de Cor. Sim, acorde, combinação de notas, ou cores, que resultam em harmonia.

 o primeiro acorde é formado por dois tons  (díade)  complementares – o último tópico fala dele…

Para alcançar relações harmônicas entre tons, é possível introduzir formas geométricas inscritas na circunferência da roda de cores. 

rodas de cores

Dessa forma, o segundo acorde a se formar é a tríade:
 
É possível montar um triângulo eqüilátero dentro da roda de cores. A tríade vermelho, azul e amarelo será a mais forte dessas. Pode haver a tríade de cores secundárias laranja, violeta e verde e ainda duas tríades de cores terciárias amarelo-laranja, vermelho-violeta e verde-azul ou vermelho-laranja, azul-violeta e amarelo-verde.

Também é possível partir de uma díade para formar um triângulo isósceles. Basta deslocar uma cor para seus dois tons vizinhos na roda de cor. Assim, a partir da díade amarelo e violeta, forma-se o triângulo amarelo, azul-violeta e vermelho violeta, ou violeta, amarelo-verde e amarelo-laranja.


rodas-de-cor-harmonia-triade.jpg

Pode-se usar esses triângulos na esfera. Deste modo, caso um vértice do triângulo esteja no preto, os outros estarão em tons claros, ou se um vértice estiver no branco, os outros dois estarão em tons escuros.

tétrades

Ainda, de acordo com Itten, é possível formar um quadrado pode ser montado dentro da esfera ao se selecionar dois pares de tons complementares perpendiculares entre si. São três tipos de quadrados: Amarelo, violeta, vermelho-laranja e azul-verde ou amarelo-laranja, azul-violeta, vermelho e verde ou laranja, azul, vermelho-violeta e amarelo-verde.

rodas-de-cor-harmonia.jpg
 

É possível criar 2 formas de retangulares: amarelo-verde,vermelho-violeta, amarelo-laranja e azul-violeta, ou amarelo,violeta, laranja e azul.

Ainda é possível se criar um trapézio com dois tons adjacentes e dois opostos a um par de complementares.

Por fim é possível introduzir um hexágono na roda de cores a partir de três pares de tons complementares amarelo, violeta laranja, azul, vermelho e verde ou amarelo-laranja, azul-violeta, vermellho-laranja, azul-verde, vermelho- violeta, amarelo-verde. Esse hexágono pode ser rotacionado na esfera de cores com um ponto no branco, outro no preto e em outros quatros tons.

rodas-de-cor-harmoniahexagono.jpg

É possível montar um octaedro na esfera, escolhendo 2 pares de complementares perpendiculares entre si, localizados no equador da esfera e um ponto no branco e outro no preto.

Essa são apenas algumas sugestões de formações harmônicas. Existem diversas outras combinações possíveis, mas que precisam ser coerentes, não podem ser aleatórias.

Eu não me esqueci dos exemplos práticos… e nos próximos tópicos eu tentarei colocar na prática esses exemplos, e explicar outros tipos de combinações harmonicas.

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harmonia cromática 2

30 novembro, 2007

no primeiro tópico sobre harmonia cromática ficou bastante teórico e sem exemplos práticos. na verdade até fiz uma piadinha sem graça scom a imagem escolhida (nada contra o harmonia do samba) . Mas a intenção era essa mesma. é preciso desmisitificar a palavra harmonia. Nada de numerologia, gosto pessoal, estado de espírito ou contato com o seu e “eu-interior”.

nesse tópico tentarei trazer o tema um pouco mais para a prática.
Outro dia estava ouvindo uma canção e ela me chamou atenção por falar de cores. De maneira poética, o autor canta um pouco da teoria de cores em especial mistura de cores e harmonia. Não há dúvidas que o autor escreveu essa estrofe de maneira bastante consciente. A canção se chama “Gray Street” da Dave Matthews Band, vejam só :

“There’s loneliness inside her                                               
And she’d do anything to fill it in                                          
And though it’s red blood                                                      
Bleeding from her now                                                          
It feels like cold blue ice in her heart                                   
When all the colors mix together                                         
To grey                                                                                     
And it breaks her heart”                                                       

Há solidão dentro dela
 E ela faria qualquer coisa para preenchê-la
 E embora seja sangue vermelho
Jorrando dela agora
Parece gelo azul e frio no seu coração
Quando todas as cores se misturam e
Se transformam em cinza
 E parte seu coração”

tradução retirada do site http://www.dmbrasil.net

é lindo  ver  como o “azul gelado”  anula o “vermelho do sangue”,  e como todas as cores misturadas geram o cinza . Nesse caso, o cinza é uma cor triste, vazia  sem vida. Essa é uma característica  de composições harmônicas,  serem estáticas. Entretanto, o que é visto de forma negativa aqui, é de enorme utilidade para um designer. 

A ausência de harmônia pode ser usada para reforçar a característica viva, e quente de algo que se baseia em tons próximos ao vermelho. Ou ainda à sensações frias e tristes, quando baseadas no azul. Mas, muitas vezes é preciso que, antes de passar qualquer sentimento, a composição seja estática. Ainda mais ,se for algo no qual se é obrigado a passar um bom tempo olhando. Um exemplo é de um escritório que tinha um enorme quadro em tons quentes ( amarelo vivo e laranja) na parede, eu imaginava o quanto isso incomodava quem sentava bem à sua frente , ao mesmo tempo imaginei que se fosse um quadro de predominância de tons  frios, a mesma pessoa não conseguiria ficar acordada após o almoço.

A harmonia de cores pode ser uma característica muito deseja em relatórios de grandes empresas, ou qualquer material que necessita transmitir seriedade  e solidez. Para quem trabalha com clientes como Banco Safra cujo slogan é ” Tradição Secular de Segurança, justificar a arte de uma peça através da harmonia cromática pode ser  base para uma argumentação de peso.

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Para se trabalhar com harmonia cromática é preciso conhecer bem a roda de cores. 

 A maneira mais fácil de alcançar harmonia é através do uso de 2 cores complementares. Para isso é só pegar 2 tons opostos na roda de cor e pronto, você tem uma relação harmônica.  tudo bem, mas não é tão simples assim, existem outros fatores que influenciam e  sugiro que vocês dêem uma olhada em contraste por luminosidade e contraste por extensão .

 o exemplo a seguir já foi usado aqui no blog e é, talvez, uma das constuções harmônicas mais simples, pois como o verde e o vermelho possuem a mesma luminosidade, para estarem em harmonia podem ocupar a mesma a mesma área.

diferenca-de-extensao-harmonia.jpg

infelizmente quase nada do mundo tem essa aparência de Kilt escocês, o que dificulta bastante nosso trabalho.

 É extremamente difícil mesmo quando apenas 2 cores predominam, dizer claramente se algo é perfeitamente harmônico ou não. No entanto é possível ficar atento a vestígios.

Passando para a arte é possível identificar que em diversos quadros, o Monet trabalhava de “maneira harmônica”  (e não pense que era de forma acidental).   perceba como o terço superior, tanto quanto o inferior são dominados pelo azul, enquanto o terço central é dominado por uma faixa alaranjada. olhe como esse “equilíbrio harmônico” entre as cores, reforça a  tranquilidade do quadro.


Monet é uma daquelas pessoas que eu gostaria de ter conhecido, ou pelo menos visto ele, mesmo que de longe, trabalhando.

depois continuamos com harmonia…


Harmonia Cromática

19 novembro, 2007

 Ao contrário do que muitos pensam, harmonia cromática não é uma escolha aleatória, de tons agradáveis, ou bonitos.
Ela também não faz parte do horóscopo como as vezes se ouve “para o signo de peixes o verde é acor que trará harmonia”.
Nem é nome de um novo grupo de axé. 

Harmonia cromática ocorre quando certa escolha de cores permite ao olho manter-se em equilíbrio, ou seja, a soma de todos os tons tem que resultar em um cinza médio.  Quando há harmonia cromática, há uma situação de conforto para o olho, uma situação de relaxamento, o olho dificilmente cansará de olhar a essa imagem. Essa é a grande vantagem de se trabalhar a partir da harmonia.

é importante lembrar que o olho sempre vai buscar o equilíbrio, independente de haver ou não harmonia cromática.

Quando há harmonia, o cérebro interpreta as cores assim como elas são em sua natureza químico-física, o efeito delas é estático, sólido e previsível.  Já quando não há harmonia o olho tentará criar essa situação de equilíbrio através de efeitos como o  contraste simultâneo e o surgimento de pós-imagens, que dão às cores novos efeitos, enorme oscilação e as tornam abstratas.

existem diversas maneiras de se alcançar o cinza médio na mistura das cores, desde as mais simples, misturando branco e preto, ou através da soma de tons complementares, até as mais complexas que envolve a mistura de diversas cores, (desde que bem pensadas), Essas misturas de cores são chamadas de “acordes” de cores. É interessante pensar nesse termo, retirado da música, pois lá ele significa mistura de notas diferentes, mas harmônicas.

Nem tudo que for feito precisa ser harmônico, quando se foge da harmonia cromática, se alcança efeitos novos que podem tornar um trabalho muito mais interessante. Entretanto, nesses casos se faz ainda mais necessário o conhecimento da harmonia e suas conseqüências, bem como as conseqüências da sua ausência.


um pouco sobre cor e cultura

11 novembro, 2007

Outro dia, um amigo veio conversar comigo e me disse que meu blog era muito chato. Que ele não conseguia ler nenhum texto inteiro. Na hora fiquei meio chateado, mas acho que dá pra tornar esse blog interessante para todo mundo (sem abrir mão da qualidade). acho que trazer um pouco mais de prática, é um jeito, então…
 
Recentemente li 3 textos que me chamaram atenção. São textos escritos por pessoas que não são especialistas em cores, mas que mostram um pouco de como nossa cultura encara as cores, e seus usos cotidianos. achei legal, então, mostrar esses textos aqui.
Para começar, uma análise do blog “ads and others” sobre a nova campanha da Nike. o texto é bastante informal e pessoal, mas a análise é interessante e denuncia uma falta de cuidado comum. Dêem uma olhada e vejam se vocês concordam com a análise pessimista do Rodolfo, depois eu comento abaixo o que achei. 
Obrigado Rodolfo, por permitir usar seu texto.

“Sempre gostei dos comerciais da Nike, confesso que tenho vários no computador. Até tenho a música do Elvis no computador e já escutei antes de ir jogar bola. Entretanto, a Nike me decepcionou com sua nova campanha para a seleção brasileira, “Sangue amarelo”.
Eles podem até dizer que quiseram fazer uma brincadeira com a camisa da seleção e conceitualizar o sangue amarelo como sinônimo do futebol brasileiro, mas p….. ! parece que eles não estudam o mercado? não sabem o que acontece aqui? não acompanham os campeonatos daqui?
Amarelar tem um sentido negativo no Brasil. Amarelar quer dizer que “morreu na praia”, acovardou na hora H, que pipocou.
Na minha opinião uma enorme mancada da Nike, me pareceu um total descaso com o mercado brasileiro. Acho que eles deviam ter mais cuidado com o país onde futebol é cultura.
Lógico que não quero dizer que a campanha irá “por água abaixo”, mas tem grande chance de dar errado”

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 o segundo texto trata das cores na religião católica, especialmente nas vestes do Padre. É interessante como as cores ajudam a demonstrar o grau de solenidade de uma celebração e mostra o estado de espírito da instituição e das pessoas. a fonte do texto é a boa e velha wikipedia.

A estola é uma faixa de tecido, muitas vezes de ou de seda que os padres usam em torno do pescoço, descendo até os joelhos. Suas cores variam de acordo com a época do Ano litúrgico.As cores da estola e de outros paramentos(roupas litúrgicas) usadas pelos bispos, padres e diáconos nas celebrações religiosas têm os seus significados:

Há mais duas cores de estola, cujo uso não é mais feito:

Obtido em “http://pt.wikipedia.org/wiki/Estola

 

 

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e o terceiro texto fala de um tema bastante atual: o BOPE. Infelizmente esse texto possui copyrights e para evitar problemas, colocarei apenas o link dele. Veja a importância que a cor possui, especialmente, a força que tem o preto.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u344462.shtml

(muito legal o fato das mulheres entrarem no BOPE, mas isso não vem ao caso)


Contraste por extensão

31 outubro, 2007

Esse é o  último tipo de contraste a ser estudado. Ele diz a respeito da área que a cor ocupa em uma composição. A extensão e a luminosidade são as duas características capazes de alterar a força de uma cor. Para que uma composição seja harmônica, esses dois fatores precisam ser cuidadosamente ajustados.

Goethe, determinou uma relação proporcional entre as luminosidades das cores (o maior valor equivale a cor mais luminosa).

amarelo     = 9
laranja       = 8
vermelho  = 6
verde        = 6
azul           = 4
violeta      = 3  

(ver mais no contraste por luminosidade)

Para que seja construída uma relação equilibrada entre dois tons, é necessário que a diferença da luminosidade entre eles seja compensada pela diferença entre suas extensões. Ou seja, o amarelo que é três vezes mais luminoso do que o violeta, precisa ser três vezes menos extenso do que o violeta. O laranja que é duas vezes mais luminoso do que o azul, precisa ser duas vezes menos extenso do que o azul. O verde e o vermelho, que possuem a mesma luminosidade, precisam ter a mesma extensão.

extensao1.jpg

 

é preciso , no entanto, ficar atento pois esses valores servem apenas para as cores em sua máxima pureza. Caso a pureza das cores mude, a relação entre elas mudará também. Você pode resolver isso transformando os tons em tons de cinza e, assim, descobrir a relação de luminosidade entre eles.

Mas e a utilidade disso?

Quando se brinca com essa relação de extensão, se obtém diferentes resultados.

Nesse exemplo, será usado  a relação entre tons vermelhos e verdes de mesma luminosidade. Assim, variações de extensão serão mais visíveis ( espero… ).

diferenca-de-extensao.jpg
O vermelho, quando  apresentado em pequena extensão assume enorme força, se torna muito mais vívido, como se quisesse compensar a desvantagem em que se encontra. Ele chama atenção justamente por estar em menor tamanho… (ótima justificativa para se usar para aquele cliente que acredita que a única maneira de chamar mais atenção para um elemento, é aumentando o seu tamanho).

 O contraste de extensão pode ser utilizado para intensificar e modificar todos os outros tipos de contraste. Saber usá-los em conjunto exige treino, mas traz excelentes significados.
 

Portanto, um trabalho que pretende valorizar o efeito das cores, precisa determinar a extensão das formas e áreas a partir delas e não o contrário. É a relação entre cores que determinará a extensão e a proporção das formas. O quê, entretanto, dificulta se trabalhar com o contraste de extensão é o fato de que as cores nem sempre se encontram em formas claras, delineadas e puras.


um post de oportunidade – campanha Itaú.

14 outubro, 2007

esse post não dá continuidade aos conceitos até aqui discutidos, mas essa é uma excelente oportunidade para falar sobre identidade visual.

 itau.jpg

para começar, desculpem-me pela qualidade da imagem, mas não achei na internet esse anúncio e caiu água em cima da revista Veja em que ele foi veiculado ( isso que dá ler durante as refeições). Se alguém encontrar na internet essa peça e puder me enviar…

Esse post foi inspirado pela nova campanha do Itaú criada pela agência Africa. A campanha chama atenção por um fato inusitado: ela vem sem assinatura, ou seja, não há em nenhum lugar o nome do banco. A mesma estratégia foi usada nas peças para a televisão.   Aparentemente a responsabilidade de identificar o banco foi jogada para as suas cores, mas isso não é totalmente verdade.  

Antes de falar da campanha propriamente dita, vou falar um pouco sobre marca,  para isso, usarei alguns conceitos, (que muitas pessoas acham controversos), apresentados no curso Semiótica da marca, ministrado pelo professor Paulo de Lencastre (caso você queira ir direto a parte que fala de identidade visual, desça até a linha pontilhada).

 Marca é muito mais do que símbolo e logotipo, ela é  o conjunto de sinais e ações de marketing baseadas em uma missão que visam gerar uma imagem junto de seu público alvo. Marca abrange tudo aquilo que a instituição faz e que, de alguma forma, sensibiliza seu público, e permite  a construir uma imagem dessa instituição (seja ela empresa, governo, ONG, igreja ou mesmo um produto), desde sua representação gráfica, seus atributos, suas qualidades, suas políticas, e seu relacionamento com clientes etc. 

De nada adianta uma instituição acreditar que possui uma marca forte, com uma identidade visual consolidada, se o público  não a percebe dessa maneira. Para o público, a marca é vista como uma coisa só. Um escândalo, ou denúncia pode manchar toda a reputação da empresa e destruir o trabalho de comunicação até então feito.

O Mc’Donald’s é um exemplo de empresa que teve imagem de sua marca manchada. Começaram a denúncia-lo por vender um tipo de comida que faz mal aos nossos organismos, que engorda e que é responsável pelo aumento da obesidade infantil. Essas acusãções foram tão prejudiciais a marca que além dele reorganizar seu cardápio, incluindo saladas, sucos e outros alimento saudáveis, por um tempo, se alterou a identidade visual da empresa, trocando o vermelho,uma das cores que o simbolizava, pelo azul ( pense no quanto trocar uma cor quente e viva como o vermelho, por uma cor fria e calma como o azul representa uma mudança de estratégia). Entretanto, acredito que eles perceberam que essas eram as cores do Burger King e, por  isso, voltaram a usar o vermelho.

 é pelo fato da marca representar muito mais do que sinais gráficos,  que o termo Logomarca parece ser tão estranho, ele limita o conceito de marca a quase nada.

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As  funções principais de uma marca são: identificar e diferenciar uma empresa, ou instituição, da sua concorrência. A identidade visual é uma importante ferramenta que auxilia a marca a alcançar esses objetivos. A identidade visual geralmente é composta em um primeiro nível pelo logotipo e o símbolo, em um segundo nível pela cor e pela tipografia. Ainda podem fazer parte de uma identidade visual embalagens, formas, mascotes etc. Dependendo do caso,  qualquer elemento pode se tornar parte principal da identidade visual  da empresa, como a garrafa da Coca Cola, que representa a marca perfeitamente.

Na campanha impressa do Itaú, mostrada acima, apesar de o texto exaltar as cores, estão presentes outros elementos,  principalmente o símbolo (bolacha azul)  e de maneira secundária a tipografia. 

Na campanha para televisão, a cor aparece como elemento predominante. É o tom laranja que mostra  a quem as imagens exibidas no comercial se referem.  Se não fosse pela cor, dificilmente diferenciaríamos as imagens desse anúncio do Itaú com as imagens de tantas outras campanhas, como por exemplo, a do Pão-de-Açucar.

 Claro que a cor, é acompanhada por outros elementos, como narração, texto, trilha sonora e estilo das imagens  (apesar de serem imagens clichês, usadas por vário produtos e empresas). Esses elementos também remetem ao Banco, mas  de forma secundária.Além disso, ambas as peças possuem como chamada : ” você sabe pela cor, você sabe de cor quem é feito para você” – que possui em seu interior o novo slogan da empresa  “você sabe quem  é feito para você”.

Esses elementos todos, liderados pelas cores, são capazes de substituir a assinatura da peça.

A atitude do Itaú foi bastante ousada em aprovar uma campanha dessa em um mercado  bancário extremamente conservador. Essa campanha se destaca das de todos os demais bancos.  Entretanto, para que uma campanha dessas alcançasse êxito e pudesse ser reconhecida pela maioria das pessoas, ela precisava  se apoiar em uma instituição com uma identidade visual muito madura. O Itaú possui enorme cuidado com sua imagem. É até  engraçado pensar que um banco de cujo significado do nome é “pedra preta” tenha conseguido assumir, com um excelente trabalho de manutençao e  modernização, cores mais fortes as cores azul e laranja.

Esse trabalho cuidadoso ( claro que abrange muito mais coisas do que apenas a identidade visual), faz do Itaú  a marca mais valiosa do Brasil.  Uma marca que alcançou dois atributos importantíssimos: a coerência e a consistência.  mas falando apenas de identidade visual, não se vê um folheto ou folder do  Itaú em que a paleta de cores sejam diferentes das usadas nas campanhas de TV. Não se recebe um boleto desse banco em que o símbolo e a tipografia aparecem fora de proporção.  há alguns anos que os comerciais de televisão utilizam a mesma paleta de cores, o mesmo narrador, os mesmos valores ( mesmo que clichês*), que as peças de mídia impressa utilizam as mesmas tipologias etc. 

Para as instituições que possuem o mesmo cuidado, seguir o manual de marca é quase um ato sagrado,  e garante a repetição coerente dos elementos de suas  identidas visuais.  Essa repetição permite que o público reconheça-os,  que esse público os associem à instituição  que representam,   crie estima por eles e, por fim, cria  uma imagem sólida, concordante com os ideais dessa instituição (capaz até de influenciar no comportamento do consumidor

Só após um  longo trabalho de consolidação de imagem, se consegue criar uma campanha  em que um dos mais imporantes elementos da sua identidade visual da instituiçao é omitido e, ainda assim, a marca sai valorizada, não há perdas nem danos, como quase sempre ocorre quando, por alguma razão, algum desses elementos não pode estar presente.

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*Já que esse é um post bem amplo, vou justificar o porquê  de dizer que as imagens e os valores apresentados nas peças do Itaú com um trecho do Livro “Magia e capitalismo, um estudo antropológico da publicidade” de Everardo P Guimarães Rocha em que ele afirma que a publicidade é um “mundo onde produtos são sentimentos e a morte não existe. Que é parecido com a vida e, no entanto, completamente diferente, posto que sempre bem-sucedido. Onde o cotidiano se forma em pequenos quadros de felicidade absoluta e impossível. Onde não habitam a dor, a miséria, a angústia, a questão. Mundo onde existem seres vivos e, paradoxalmente, dele se ausenta a fragilidade humana”.

O fato dessas imagens serem genéricas só aumentam o valor da direção de arte das campanhas do Itaú, que conseguem identificar o banco e tornar os comerciais reconhecíveis ainda nos primeiros segundos de suas exibições.


Contraste por saturação

4 outubro, 2007

Esse é o contraste entre a pureza das cores. Quando uma cor é adicionada a outra, elas perdem saturação( é como se as cores fossem diluídas). Já, quando se retira uma cor da outra, as cores se tornam mais concentradas. A diluição da cor, ou dessaturação pode ser feita através da mistura dessa cor com o branco, ou o preto, ou o cinza.

dá para perceber isso quando se olha para a esfera de cores.

O seu núcleo é cinza, um dos seus polos é branco enquanto o outro é preto. Os tons se encontram plenamente saturados no equador, na maior distância possível do núcleo e dos polos. 

veja nos exemplos abaixo…

a primeira imagem é a original, a imagem à sua direita é dessaturada com o cinza, a primeira da linha de baixo é dessaturada com preto e a última com o branco

saturacao.jpg

a dessaturação ainda pode ser feita através da soma de tons complementares ( perceba também como a soma de tons complementares resulta no cinza)

soma-de-tons-complementares.jpg

ah, não poderia deixar de agradecer a Renata Polydoro, ou simplesmente Rena Poly, por me emprestar o desenho dela. ela possui um blog em que expõe os trabalhos dela, vale a pena conferir,  ela possui ilustrações muito interessantes, principalmente as mais estilizadas.